sexta-feira, 23 de julho de 2010

Sobre TPM

 "My name is Mala. Mala Leche".

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quarta-feira, 14 de julho de 2010

Sobre cabelos brancos

Um espelho pode ser tão atrante quanto repugnante; ele reflete movimentos quando passa despercebido, e estátuas de caras e bocas quando recebe atenção. Há, porém, que se atentar ao fato de que o espelho é um pobre coitado, que num quase inédito feliz final de uma brincadeira de telefone sem fio, só passa adiante a informação correta, tal qual ela lhe chega aos ouvidos, ou melhor, aos olhos.

Hoje mesmo passei por ele, e resolvi parar, assim, em frente, bem de perto. Fiz umas poucas caretas, analisei olhos, boca, pele e cabelos. Nestes, encontrei diversos fios novos, curtos, espetados, trazendo a boa nova da nova vida. Mas também encontrei um fio novo, porém branco. Branco! Eu tenho um pouco de sorte neste quesito, porque meus cabelos ficam entre o castanho claro e o loiro escuro, então os fios se disfarçam, e disfarçam cores e tons, e alguns brancos às vezes são apenas fios claros, mas noutras vezes, são realmente brancos.

Imediatamente eu tratei de culpar alguém pela mutação ocorrida em meus cabelos. Culpar-te-ei por meus fios de cabelo branco, pelas rugas ao redor dos olhos, pelo coração calejado e pela alma insensível!!! Mas a projeção não durou por muito tempo. Eu logo retomei a consciência, e num surto de sanidade, dei-me conta de que o tempo é implacável, para todos nós. Vinte e sete anos nas costas, uma vida mais tranquila que a de muitos que encontro por aí, algumas decepções que frustraram apenas as fantasias infantis, e sabe-se lá mais quantos anos pela frente.

Deveria eu orgulhar-me de meus cabelos brancos? Não. Seria otimismo demais. Pois a primeira reação que tenho é querer arrancar os fios, tal qual se tenta apagar da vista aquilo que do coração não se consegue arrancar. O fato é que eu ainda não sei como lidar com a chegada dos anos. Vejam, eu nem sei se os anos, de fato, passaram! Tem um adulto querendo me pegar pela mão, e eu continuo me perguntando quando é que termina a infância.

E para quem sempre se orgulhou de possuir como característica da personalidade a capacidade de se adaptar a novas situações, eu tenho me saído pior que a encomenda. Felizmente, outra forte característica é a instabilidade. E creio que devo me aproveitar de alguns momentos destes para fazer mudanças, e mais que isso: gostar destas.