É cama, é roupa, é banho e sacola. É meia, é cobertor, é afeto direcionado. É calor, é carinho, é preparação pra chegada. E se não chegar, e se for embora, e se acabarem cedo com a demora... E se não corresponder, e se se perder, e se eu me perder em medos, não será mais nada. O maior medo é o medo de perder o 'é', que é o medo do deixar de ser.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Sobre vaidades
Todo mundo tem uma foto preferida, um ângulo que lhe favorece, uma amizade de admiração e respeito recíprocos e um ou outro contato de ódio desconhecido, velado, ou mesmo explícito. O cabelo bonito, alisado, escovado, de uma foto que registrou momentos de uma data marcante em nada corrobora com a realidade dos dias comuns, entre pessoas que estão habituadas ao nosso modo de ser, pouco importando o tempo perdido em frente ao espelho ou sob a água do banho. O brilho no olhar, o olhar que assusta, o sorriso que acolhe, as palavras que enobrecem, os gritos que sufocam e os braços que aquecem, entretanto, são sempre os mesmos. Personalidades e faces maquiadas nos enganam, pois não passam de uma representação daquilo que se deseja, muitas vezes daquilo que não se é. Vestir a fantasia do personagem é permitido. Só não se admite esquecer-se de quem se é.
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