sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Sobre o tempo I

Sentia o passar, o pesar
Como quem fecha os cadernos de um jornal.
Olha em direção ao nada,
E suspira a ausência de um evento por segundo
Que não fale de dor ou de um fato,
Assim, banal.

Ouvia o tempo pela metade
Acelerado, ou em parte para esquecer.
Tempo de palavras vãs,
Esparsas, sozinhas, amontoadas,
Meias palavras.

Contentava-se com os gestos
Breves, sinceros, envoltos em cores,
Brilhos, contrastes, num tempo que pára.
Tempo que espera. Tempo que é justo.
Tempo que não se faz tempo quando estanca.
Transforma-se em cena,
Lembrança fotografada num olhar
Que já foi senhor do tempo,
Que já esquece o que viu,
E o faz para viver mais.

Vive de paz, de tempo,
De memória e palavras.
Finge que esquece.
Finge que não se submete ao tempo
Para não dar ao tempo o poder de meias palavras,
Meias vidas...
Tempo, assim, pela metade.

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